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Notcias

18.03.2009

CRISE MUNDIAL - Investimento em água ameaçado

ISTAMBUL – A crise econômica mundial ameaça retrair os investimentos na infraestrutura de água e saneamento, um setor já carente de recursos, embora vital para a saúde pública e o crescimento econômico. O alerta foi feito ontem por representantes do Banco Mundial, durante o Fórum Mundial da Água, aberto na última segunda-feira, na capital da Turquia.

O diretor de energia, transportes e água do Banco Mundial, Jamal Saghir, lembrou que a primeira contração econômica desde o fim da Segunda Guerra ameaça ofuscar a escassez de água limpa em regiões pobres, onde sistemas sanitários inadequados ou inexistentes são a principal causa de doenças mortais e uma barreira ao crescimento econômico.

A Organização das Nações Unidas (ONU) diz que o custo total para substituir a infraestrutura obsoleta de água e saneamento nos países industrializados pode custar US$ 200 bilhões por ano.

Jamal Saghir ressaltou que não existem grandes recursos previstos para investimento em água nos pacotes de estímulo econômico aprovados pelos Estados Unidos e outros países, na luta contra a crise econômica. Ele pediu mais eficiência no gerenciamento e consumo de água. “Nós podemos fazer mais com o mesmo ou até menos”, disse em discurso a um auditório lotado.

Especialistas acreditam que parte considerável da população mundial enfrentará escassez de água nas próximas décadas, porque a população cresce e os ecossistemas se deterioram. A União Internacional pela Conservação da Natureza, entidade com sede em Genebra, disse que a crescente demanda por água requer leis que garantam a preservação do recurso natural.

“As leis sobre a água precisam buscar um balanço entre os direitos dos consumidores industriais à água e as pessoas que têm modos de vida tradicional”, disse Alejandro Iza, diretor do Centro de Leis Ambientais. “Sem isso, os custos para a economia e os danos ao meio ambiente serão muito altos.”

DISCORDÂNCIAS

O segundo dia do 5º Fórum Mundial da Água terminou em meio a discordâncias que impediram avanços nos documentos de trabalho que servirão de base à declaração ministerial que encerrará o evento.

O governo da Comunidade Autônoma de Aragão, na Espanha, por exemplo, recusou um dos documentos finais, que inclui a transferência de águas entre bacias hidrográficas como medida possível para solucionar situações de deficiência hídrica.

O conselheiro de Meio Ambiente de Aragão, Alfredo Boné, declarou que a aprovação do texto “atentaria contra a sustentabilidade social, ambiental e econômica” no caso de sua região de origem.

Esses documentos recolhem reflexões dirigidas a autoridades locais e regionais, com o objetivo de desenvolver estratégias para a gestão de água que permitam responder às mudanças globais.

Os uruguaios reuniram protestos de associações de defesa do meio ambiente e pediu que a declaração ministerial reconheça o acesso à água como direito fundamental, como já havia sido exigido no fórum anterior, há três anos no México.

A reivindicação é defendida por outros países latino-americanos como Cuba, Venezuela e Bolívia, que assinaram declaração alternativa no México, além da oficial – algo que também pode ocorrer em Istambul, segundo o Diretor Nacional de Água e Saneamento do Uruguai, José Luis Genta.

Genta disse que em seu país “os serviços de água e saneamento são garantidos constitucionalmente como um direito humano e são administrados exclusivamente pelo Estado”. O encontro vai até domingo.

Fonte: Jornal do Commercio (18.03.2009)

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